1 – Muito Além do Supérfluo

Supérfluo foi uma palavra que alguém inventou quando estava louco de vontade para comprar alguma coisa, mas não tinha dinheiro suficiente. Essa frase, de um anúncio da Harley-Davidson, é para aqueles que acreditam que o luxo é sinônimo de supérfluo. Se não for o suficiente – como não deve ser mesmo – vejamos alguns dados irrefutáveis:

  1. PIB nominal do Brasil em 2011: U$2,48 trilhões. No mesmo ano, o segmento de luxo movimentou U$2,33 trilhões.
  2. A despeito da crise de 2008, em 2011 a taxa anual acumulada de crescimento do setor era de +11%.
  3. O faturamento do maior conglomerado de luxo do mundo, o LVMH, nos primeiros 6 meses de 2010 foi de U$11.65 bilhões. No primeiro semestre de 2011: U$13.19 bilhões.
  4. No Brasil, as classes A e B (ou seja, as classes consumidoras do luxo) representam 25 milhões de pessoas, com previsão de 30 milhões para 2014. São as classes, também, que mais crescem percentualmente no Brasil nos últimos 20 anos.
  5. O consumo das classes A e B, em 2011, superou R$1 trilhão (considerando todos os produtos, não apenas o luxo).
  6. Marcas como Ermenegildo Zegna, Giorgio Armani, Gucci, Louis Vuitton, Bang & Olufsen, Jimmy Choo, Hermés, Burberry, Ferrari, Bulgari e Chanel não apenas são comercializadas no Brasil: elas possuem lojas próprias no país, o que evidencia a grande atratividade do mercado.

Bem, se alguém ainda considera esse um mercado supérfluo, sinto informar que esse alguém não apenas está enorme e preconceituosamente equivocado como, principalmente, está perdendo uma grande oportunidade profissional e empresarial. E como dissemos na coluna passada, o nosso compromisso é tratar do tema de uma forma prática, profissional e relevante. Novamente, aqui não vale o lugar comum que é a opinião não fundamentada do leigo pseudo-consumidor… potencial. Esclarecido esse ponto, vamos em frente.

“Supérfluo foi uma palavra que alguém inventou quando estava louco de vontade para comprar alguma coisa”

2 – O conceito de Luxo

Em palestras ou bate-papos, as pessoas costumam me perguntar sobre o conceito de luxo. Acredito que alguns leitores também queiram saber, mas infelizmente, não existe uma definição estanque para o termo. Sim, o luxo é subjetivo e relativo. Há, entretanto, uma frase de Gabrielle Chanel, fundadora de uma das marcas mais tradicionais do setor e que leva seu sobrenome, que ilustra como nenhuma outra o espírito do luxo:

“Luxo não é o oposto de pobreza. É o contrário de vulgaridade.”

Mas mesmo sem um conceito claro e preciso, nós vamos objetivar essa noção através do estudo de características que, em menor ou maior grau, estão presentes em todas as marcas e produtos de luxo. Por isso, sugiro um exercício: nos próximos dias, realize as seguintes atividades:

  • Pense em algumas marcas de luxo.
  • Para cada uma delas, liste alguns aspectos que você considera importantes e que contribuem para sua percepção em relação a elas. Por que são marcas de luxo?
  • Se tiver disposição de ir além, visite o site de algumas ou até vá a uma loja, se for algo viável. Só não recomendo pesquisar no Google sobre características dos produtos de luxo – pelo menos não antes de fazer sua lista.

Como isso aqui não é aula nem avaliação, o mais interessante é VOCÊ identificar esses aspectos e depois confrontar com o que apresentaremos aqui no Marketing May 31. Afinal de contas, luxo e subjetividade andam sempre juntos. Até a próxima!

“Luxo não é o oposto de pobreza. É o contrário de vulgaridade.”

Leia mais artigos do Daniel Maior.

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Sobre Daniel Maior

MBA em Luxury Management pela International University of Monaco, Coordenador do curso de Administração da UNIFACS e fundador do 377 Luxury Travel (www.377club.com).

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